The Face Behind Bitcoin - Newsweek

Ninguém conhece Satoshi Nakamoto.Identidade do fundador do Bitcoin, desaparecido em 2011, é o grande enigma da era digital

Um dos maiores enigmas da era digital é uma sombra com um nome japonês. Pode ser um só homem, uma organização, um governo ou a própria NSA. Ninguém sabe. Sob o nome de Satoshi Nakamoto se esconde o inventor do Bitcoin, uma criptomoeda que se propôs a revolucionar os sistemas de pagamento na Internet e cujo valor total de mercado hoje é estimado em cerca de 4 bilhões de dólares (12,7 bilhões de reais). Mas ninguém jamais viu o rosto de seu criador nem ouviu sua voz. Em 2011, quando seu invento começava a ser grande e ele poderia ter se tornado milionário, desapareceu. Deixou de responder até os e-mails de seu colaborador mais próximo, Gavin Andressen. Simplesmente disse que iria dedicar-se a outras coisas. O tipo de mensagem que teria escrito alguém que acabasse de fracassar. Não o inventor de algo como o Napster do dinheiro.
Nem sequer se sabe se é uma só pessoa, uma organização, um Governo ou a própria NSA
No final de 2008, Satoshi Nakamoto publicou um artigo de pesquisa onde explicava os fundamentos do Bitcoin, uma nova moeda digital baseada em um software de código aberto e na tecnologia P2P. No documento incluía um endereço de e-mail através do qual trocou mensagens durante dois anos e meio com a comunidade que o ajudou a desenvolvê-lo. O sistema pretendia eliminar os bancos da equação econômica, suprimir comissões, preservar a privacidade nas transações, facilitar os micropagamentos entre pessoas... Nascia em plena crise e possuía todos os elementos relativos ao sinal dos tempos.
Hoje são emitidos 25 bitcoins a cada 10 minutos, e só na Espanha são realizadas 100.000 transações diárias
Hoje, sete anos depois, 25 bitcoins são emitidos a cada 10 minutos no mundo e só na Espanha se realizam 100.000 transações diárias. Muitas empresas começam a aceitá-lo como meio de pagamento (Microsoft, Dell, Destinia…), o Federal Reserve (dos Estados Unidos) estuda incorporá-lo ao sistema e grande parte dos investimentos do Vale do Silício flui para revolucionárias empresas do entorno dessa criptomoeda (230 milhões de dólares somente em 2015). Na Espanha é usada por escritórios de advocacia como o Abanlex. E empresas como a Coinffeine atraem a atenção de todo o mundo por sua guinada à descentralização do Bitcoin mediante a eliminação das casas de câmbio da jogada.
A partir de então, a caça a Satoshi Nakamoto (nome que poderia ser um simples pseudônimo) se transformou em um desafio para jornalistas, especialistas em informática e criptógrafos. The New Yorker e o New York Times apontaram seus candidatos sem obter confirmação de nenhum deles. Mas o caso de maior repercussão ocorreu em março de 2014, quando a Newsweek retomou sua edição impressa com uma bomba na capa: tinham descoberto. A jornalista Leah McGrath Goodman garantia ter localizado um cara comum chamado Dorian Satoshi Nakamoto que vivia humildemente em um subúrbio de Los Angeles. Um físico de origem japonesa cuja biografia guardava coincidências demais com os dados conhecidos do fundador do Bitcoin. Falava um inglês um tanto ruim, havia trabalhado para assuntos secretos do Governo, as pessoas em seu entorno sustentavam que podia ser ele... Segundo a jornalista, na entrada de sua casa ele chegou até mesmo a lhe dizer: “Já não estou envolvido nisso, não posso falar sobre isso. Outras pessoas estão agora encarregadas”. Não dava margem a muitas dúvidas.
No dia seguinte à publicação, porém, o suposto Satoshi desmentiu tudo. Até mesmo garantiu que seis meses antes desconhecia o Bitcoin. O mais doloroso para a jornalista foi que a maioria dos especialistas consultados respaldaram a versão dele. Depois de um ano de silêncio, McGrath atendeu a este jornal, durante dez minutos, mas quis limitar sua declaração oficial a que tanto ela como a Newsweek continuam endossando e dando crédito a seu artigo, ainda postado em sua página na Internet sob uma petição de retificação do advogado do Nakamoto, que negava ser ele. Alguns acreditam que Leah McGrath continua mantendo sua versão porque deve saber algo mais do que publicou.
O Bitcoin é a cristalização de um velho desejo perseguido pelo movimento cypherpunk desde os anos 80 que encontrou a solução no protocolo de Nakamoto. Há uns 14 milhões em circulação – cada um vale hoje uns 220 euros (cerca de 750 reais) – e, pelo modo como o sistema está configurado, permitirá que se reproduzam até 21 milhões (o processo terminaria ao redor do ano 2140). Sua estrutura está baseada na chamada cadeia de blocos, algo assim como as folhas de contabilidade onde são anotadas todas as transações realizadas. Esses blocos são gerados mediante um complexo cálculo que só computadores potentes podem processar (às vezes, centenas deles). Esse trabalho é realizado pelos chamados mineradores, que são recompensados com 25 bitcoins cada vez que obtêm um novo bloco. Um incentivo que começou com 50, mas que cai para a metade à medida que aumenta a complexidade do problema matemático. Logo, seu valor flutua no mercado em função da oferta e da procura, e o preço fixado pelas casas de câmbio.
'Newsweek' afirmou em sua capa ter descoberto o autêntico Satoshi. No dia seguinte, o homem desmentiu
Satoshi Nakamoto foi o primeiro a extrair Bitcoins e poderia ter em sua conta, segundo os cálculos que podem ser feitos consultando a cadeia de blocos, ao redor de um milhão deles. Mas desde que desapareceu em 2011 não movimentou nem um cêntimo. Algo que despertou todo tipo de teoria: desde que perdeu as chaves de sua conta até que os abandonou para não dar pistas de sua identidade. O que está claro é que se trata de alguém que não precisa deles. Além disso, há alguns rastros, extraídos de todos os seus e-mails que vieram a público, que permitem ao menos eliminar alguns suspeitos.
Essa é a única maneira de se aproximar do enigma. Nathaniel Popper, jornalista do New York Times e autor do livro Digital Gold, opina que o contexto histórico é muito importante para definir sua identidade. É preciso entender os experimentos prévios feitos na mesma linha (como o Hashcash ou o B-Money) e que Satoshi provavelmente surgiu desse entorno. Justamente, outro desses antecedentes foi o Bit Gold, uma espécie de versão beta do Bitcoin não desenvolvida. Seu criador, um experimentado criptógrafo chamado Nick Szabo, é quem Nathaniel apontaria se tivesse de apostar em um nome real do verdadeiro Satoshi. “Minha aposta é que esteve envolvido, mas que teve ajuda para desenvolver o código. Ele não era o tipo de programador que poderia fazer esse software sozinho. Há pessoas que o ajudam. Não digo que seja ele, mas que todas as evidências obtidas até a data apontam para ele”, pondera com toda a cautela do mundo. Szabo, como todos os demais anteriormente, nega.
Para as pessoas mais próximas do Bitcoin, tanto por seu uso como pela militância ideológica, desvendar quem é Satoshi é irrelevante. Assim opina Alex Preukschat, autor da história em quadrinhos Bitcoin – The Hunt for Satoshi Nakamoto (Bitcoin – A Caçada a Satoshi Nakamoto). Para ele, o importante é que se trata de um projeto descentralizado p2p cuja estrutura pode ser aplicada a outros campos da vida. “O relevante é a comunidade de pessoas envolvidas. Isso se aplica também à democracia, que só pode ser igualmente boa como a qualidade das pessoas que a compõem. Nos projetos p2p isso se passa de uma forma mais pronunciada: todos os seus membros constituem a força. Para mim, o mais bonito não é o dinheiro ou a tecnologia, mas as novas estruturas descentralizadas que oferece para a sociedade. Trata-se de uma maneira de organizar e incentivar no futuro comportamentos humanos. Algo assim Satoshi devia pensar quando partiu para fazer outras coisas e renunciou a seu invento, e ao milhão de bitcoins de sua conta.
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Quebrando o código da origem do bitcoin! Um dos grandes mistérios atuais é a identidade do criador da moeda digital

Nathaniel Popper THE NEW YORK TIMES
A caça a Satoshi Nakamoto, o misterioso criador do bitcoin, seduziu até quem acha que a moeda virtual é uma espécie de esquema de golpe da “pirâmide”. Uma lenda surgiu de um amontoado de fatos: alguém usando o nome Satoshi Nakamoto divulgou o software para o bitcoin no começo de 2009 e se comunicou com os nascentes usuários da moeda via e-mail – mas nunca por telefone ou em pessoa. Aí, em 2011, quando a tecnologia começou a atrair uma atenção mais ampla, os e-mails pararam. Satoshi desapareceu, mas as histórias se multiplicaram.
No ano passado, quando trabalhava num livro sobre a história do bitcoin, foi difícil evitar o enigma da identidade de Satoshi Nakamoto. A revista Newsweek causou frisson com um artigo de capa em março de 2014 alegando que Satoshi era um engenheiro desempregado na faixa dos 60 anos que vivia num subúrbio de Los Angeles. Um dia depois da publicação, porém, a maioria das pessoas informadas sobre o bitcoin havia concluído que a revista encontrara o homem errado.
Muitos na comunidade bitcoin me disseram que, em deferência ao claro desejo de privacidade do criador do bitcoin, eles não queriam ver o mágico ser desmascarado. Mas em conversas com os programadores e empreendedores mais profundamente envolvidos com o bitcoin, ouvi que boa parte das evidências apontava para um americano recluso de ascendência húngara, chamado Nick Szabo.
Szabo é um mistério quase tão grande quanto Satoshi. Mas no curso de minha reportagem, continuei encontrando novas pistas que me levaram mais longe na caçada, e até tive um raro encontro com Szabo numa reunião privada com programadores e empresários importantes do bitcoin.
Nesse evento, Szabo negou que fosse Satoshi, como tem feito insistentemente em comunicações eletrônicas. Mas ele admitiu que sua história deixava poucas dúvidas de que ele fazia parte do pequeno grupo de pessoas, que, por décadas, assentaram os alicerces do bitcoin e criaram muitas partes que mais tarde entraram na moeda virtual. A contribuição mais notável de Szabo foi um antecessor do bitcoin conhecido como “bit gold” que alcançou muitos dos mesmos objetivos usando ferramentas similares de matemática avançada e criptografia.
FUTURO
Pode ser impossível provar a identidade de Satoshi até a pessoa precursora por trás da cortina do bitcoin decidir se apresentar e provar a propriedade das antigas contas eletrônicas de Satoshi. Neste ponto, a identidade do criador já não é importante para o futuro do bitcoin. Como Satoshi parou de contribuir para o projeto em 2011, a maior parte do código aberto foi reescrita por um grupo de programadores cujas identidades são conhecidas. Mas a história de Szabo oferece um insight de elementos com frequência mal compreendidos da criação do bitcoin. O software não caiu do céu, como às vezes se supõe, mas foi construído sobre ideias de várias pessoas ao longo de décadas.
Esta história é mais do que uma mera questão de curiosidade. O software veio a ser considerado em círculos acadêmicos e financeiros uma inovação significativa na ciência da computação que pode reformular a maneira como o dinheiro aparece e se movimenta. Recentemente, bancos como o Goldman Sachs deram os primeiros passos para adotar a tecnologia.
O próprio Szabo continuou discretamente envolvido no trabalho. No início de 2014, Szabo ingressou na Vaurum, uma startup de bitcoin baseada em Palo Alto, Califórnia, que estava operando em modo furtivo e pretendia construir uma bolsa de bitcoin melhorada. O papel de Szabo na Varum foi mantido em segredo em razão de seu desejo de privacidade, e ele deixou a empresa em fins de 2014. A série de habilidades e conhecimentos misteriosos que ele dominava levou vários colegas a concluir que Szabo muito provavelmente esteve envolvido na criação do bitcoin, apesar de não ter feito tudo sozinho. Apesar de estar envolvido desde o começo dos anos 90 em uma comunidade online chamada Cypherpunks, pioneira na discussão de ideias que ajudaram a formatar o bitcoin, são suas atividades em 2008 que mais contribuíram para levantar suspeitas com relação ao papel de Szabo. Foi naquele ano, um pouco antes da chegada do bitcoin, que ele escreveu em seu blog sobre o bit gold. Pesquisadores ingleses notaram semelhanças “fora do comum” entre seu linguajar e maneirismos e aqueles atribuídos a Satoshi.
Quem quer que seja, o verdadeiro Satoshi Nakamoto tem muitos motivos para querer permanecer anônimo. O mais óbvio é o perigo de sua posição. Um pesquisador argentino concluiu que Satoshi Nakamoto provavelmente amealhou quase um milhão de bitcoins durante o primeiro ano do sistema, o que dá, em valores atuais, mais de US$ 200 milhões.
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Após mais de 6 anos, criação da moeda virtual bitcoin ainda envolve enigma NATHANIEL POPPER DO "NEW YORK TIMES"

É um dos grandes mistérios da era digital.
A caçada por Satoshi Nakamoto, o esquivo criador do bitcoin, cativou até mesmo aqueles que acreditam que a moeda virtual é uma espécie de esquema de pirâmide on-line. Um emaranhado de fatos resultou no surgimento de uma lenda: alguém usando o nome Satoshi Nakamoto lançou o software do bitcoin no começo de 2009 e se comunicava com os usuários da moeda nascente por meio de e-mails –mas nunca por telefone ou em pessoa.
Depois, em 2011, no exato momento em que a tecnologia começou a atrair atenção mais ampla, os e-mails cessaram. De repente, Satoshi sumiu, mas as histórias sobre ele não pararam de crescer.
Ao longo dos últimos 12 meses, venho trabalhando em um livro sobre a história do bitcoin, e é difícil não me deixar atrair pela charada quase mística da identidade de Satoshi Nakamoto. Quando eu estava começando minhas pesquisas, a revista "Newsweek" ganhou atenção com uma reportagem de capa, em março de 2014, na qual alegava que Satoshi era um engenheiro desempregado, de mais de 60 anos, que vivia em um subúrbio de Los Angeles.
Um dia depois de publicada a reportagem, porém, a maior parte das pessoas que conhece bem o bitcoin já havia concluído que a revista tinha apontado o homem errado.
Muitas pessoas na comunidade do bitcoin me disseram que, em deferência ao claro desejo de privacidade do criador da moeda virtual, não queriam ver o mago desmascarado. Mas mesmo entre aqueles que fizeram essa afirmação, poucos conseguiam resistir a um debate sobre as pistas deixadas pelo fundador.
O POSSÍVEL HOMEM
Ao participar dessas conversas com os programadores e empreendedores mais profundamente envolvidos com o bitcoin, encontrei uma crença silenciosa, mas profundamente enraizada de que boa parte dos indícios mais convincentes aponta para um norte-americano recluso de ascendência húngara chamado Nick Szabo.
Szabo é um mistério quase tão grande quanto Satoshi. Mas no curso de meu trabalho de reportagem comecei a levantar novos indícios que me envolveram ainda mais nessa busca, e cheguei até a participar de um raro encontro pessoal com Szabo, em um evento privado reunindo os principais programadores e empreendedores do bitcoin.
No evento, Szabo negou que fosse Satoshi, como o vem negando consistentemente em suas comunicações eletrônicas. Mas ele reconheceu que seu histórico deixava pouca dúvida de que era parte do pequeno grupo de pessoas que, ao longo de décadas, trabalhando às vezes cooperativamente e às vezes em competição, lançaram as fundações para o bitcoin. E criaram muitos dos componentes posteriormente integrados à moeda virtual.
A mais notável contribuição de Szabo foi um predecessor do bitcoin chamado "bit gold", que atingia muitos dos mesmos objetivos da moeda virtual e usava ferramentas semelhantes de matemática avançada e criptografia.
Pode ser impossível provar a identidade de Satoshi até que a pessoa (ou pessoas) que se ocultam por trás da cortina do bitcoin decida se apresentar e prove controlar as velhas contas de comunicação eletrônica de Satoshi.
A essa altura, a identidade do criador já não é importante para o futuro do bitcoin. Desde que Satoshi deixou de contribuir para o projeto, em 2011, a maior parte do código de fonte aberta da moeda virtual foi reescrito por um grupo de programadores cujas identidades são conhecidas.
A CRIAÇÃO
Mas a história de Szabo oferece percepções sobre alguns elementos frequentemente incompreendidos na criação do bitcoin. O software não veio do nada, como se presume ocasionalmente, mas, em vez disso, se baseou em ideias de múltiplas pessoas desenvolvidas ao longo de décadas.
A história do bitcoin envolve mais que simples curiosidade. O software veio a ser encarado em círculos acadêmicos e financeiros como um significativo avanço na ciência da computação, que pode mudar a maneira pela qual o dinheiro funciona e é movimentado. Recentemente, bancos como o Goldman Sachs deram os primeiros passos em direção a adotar a tecnologia.
Szabo manteve seu discreto envolvimento com o projeto. No início de 2014, ele começou a trabalhar para a Vaurum, uma start-up (empresa iniciante de tecnologia) relacionada ao bitcoin e sediada em Palo Alto, Califórnia.
A companhia vinha operando discretamente e seu objetivo era criar um mercado melhor para o bitcoin. Depois de sua chegada, Szabo ajudou a reorientar a empresa a fim de explorar a capacidade do bitcoin para operar com os chamados contratos inteligentes, que permitem transações financeiras autoexecutadas.
Depois que Szabo levou a empresa a tomar essa nova direção, seu nome mudou para Mirror, e ela recentemente levantou US$ 12,5 milhões em capital junto a grupos de capital de risco. A companhia não quis comentar para este artigo.
O papel de Szabo na Vaurum precisava ser mantido em segredo devido ao desejo de privacidade dele. Szabo acabou deixando a empresa no final de 2014, nervoso com a exposição pública, disseram pessoas informadas sobre as operações da companhia. Enquanto esteve lá, porém, o elenco de competências e de conhecimentos de que ele dispunha levou muitos colegas a concluir que Szabo muito provavelmente esteve envolvido na criação do bitcoin, mesmo que não tenha feito o trabalho sozinho.
O ENCONTRO
Fui apresentado a Szabo, um sujeito grandão e barbado, em um evento de bitcoin no lago Tahoe, na casa de férias de Dan Morehead, ex-executivo do Goldman Sachs e atual proprietário da Pantera Capital, uma empresa de investimento cujo foco é o bitcoin. Na época, Szabo trabalhava para a Vaurum. Morehead e os outros executivos de fundos de hedge presentes todos usavam mocassins e jeans de corte fino. Szabo exibia a calvície incipiente por entre os cabelos ruivos já se tornando grisalhos, calçava tênis velhos e usava uma camisa listrada para fora da calça.
Ele não estava participando das rodas de conversa, e consegui encurralá-lo na cozinha na hora dos coquetéis. Ele se mostrou notavelmente reservado e contornou perguntas sobre onde vivia e trabalhava, mas ficou irritado quando citei o que se diz sobre ele na Internet –por exemplo, que ele é professor de direito na Universidade George Washington– e sobre a possibilidade de que seja o criador do bitcoin.
"Bem, direi o seguinte, na esperança de estabelecer o histórico", ele comentou, em tom ácido. "Não sou Satoshi e não sou professor universitário. Na verdade, nunca fui professor universitário."
A conversa se tornou menos acalorada quando lhe perguntei sobre as origens dos muitos complicados componentes de código e criptografia usados para o software do bitcoin, e sobre o pequeno número de pessoas que teriam os conhecimentos necessários a unir essas peças.
Quando questionado se acreditava que Satoshi conhecia seu trabalho, Szabo disse entender por que havia tanta especulação quanto ao seu papel no processo. "Tudo que digo é que existem muitos paralelos, e isso parece engraçado, para mim e para outras pessoas."
O jantar começou, interrompendo a conversa, e não tive nova oportunidade de falar com Szabo.
Quando troquei e-mails com ele, Szabo repetiu sua negativa. "Como já declarei muitas vezes, essas especulações todas são lisonjeiras, mas erradas –não sou Satoshi."
PUNKS
Muitos dos conceitos centrais para o bitcoin foram desenvolvidos em uma comunidade on-line conhecida como Cypherpunks, uma organização frouxamente conectada de ativistas da privacidade digital. Como parte de sua missão, eles decidiram criar um dinheiro virtual que pudesse ser tão anônimo quanto o dinheiro físico. Szabo era membro da comunidade e em 1993 escreveu uma mensagem aos demais cypherpunks descrevendo as diversas motivações dos participantes de uma reunião do grupo que acabava de acontecer.
Algumas das pessoas, ele escreveu, "são libertários que querem excluir o governo de suas vidas, outras são progressistas que lutam contra a NSA [Agência Nacional de Segurança norte-americana], outras ainda se divertem ao incomodar os poderosos com hacks bacanas".
Szabo tinha uma mentalidade libertária. O que o atraía nessas ideias, ele me disse, era em parte relacionado ao seu pai, que combateu os comunistas na Hungria nos anos 50 antes de se assentar nos Estados Unidos, onde Szabo nasceu há 51 anos. Criado no Estado de Washington, Szabo estudou ciência da computação na Universidade de Washington.
Diversas experiências com dinheiro digital foram conduzidas nas listas do Cypherpunks nos anos 1990. O pesquisador britânico Adam Back criou o hashcash, mais tarde um dos componentes centrais do bitcoin. Outro projeto, chamado money, foi criado por Wei Dai, um engenheiro de computação muito zeloso de sua privacidade.
Quando nenhuma dessas experiências decolou, muitos dos participantes do grupo perderam o interesse pelo assunto. Mas não Szabo. Ele trabalhou seis meses como consultor para uma companhia chamada DigiCash, de acordo com um post em seu blog. Em 1998, enviou uma descrição genérica de seu projeto de dinheiro virtual, o bit gold, a um pequeno grupo de pessoas ainda interessadas na ideia, como Daí e Hal Finney, programador em Santa Barbara, Califórnia, que tentou criar uma versão de uso prático para a moeda.
O conceito do bit gold era bem parecido com o do bitcoin. Incluía um token digital escasso, como o ouro, que podia ser enviado eletronicamente sem a necessidade de passar por uma autoridade central, por exemplo um banco.
Esse histórico aponta para o papel importante que Szabo e diversos outros pesquisadores desempenharam na criação dos blocos básicos de construção do bitcoin. Quando o estudo no qual Satoshi Nakamoto descrevia o bitcoin foi publicado, em 2008, ele citava o hashcash, de Back. As primeiras pessoas com quem Satoshi fez contato privado por e-mail foram Back e Dai, dizem os dois. E Finney, que morreu recentemente, ajudou Satoshi a melhorar o software do bitcoin no final de 2008, antes que ele fosse publicamente lançado, de acordo com e-mails que me foram encaminhados por Finney e sua família.
Foram as atividades de Szabo em 2008, logo que o bitcoin emergiu, no entanto, que geraram boa parte das suspeitas sobre seu papel no projeto. No segundo trimestre daquele ano, antes que qualquer pessoa tivesse ouvido falar de Satoshi Nakamoto e do bitcoin, Szabo retomou a ideia do bit gold em seu blog e em conversas on-line sobre uma versão viva da moeda virtual; ele perguntou aos leitores: "Alguém quer me ajudar com o código?"
Depois do surgimento do bitcoin, Szabo alterou a data de seu post. Com a mudança, o post parecia ter sido publicado depois que o bitcoin foi lançado,como mostram versões de arquivo do blog.
Os escritos de Szabo sobre o bit gold, na época, contêm muitos paralelos notáveis com a descrição do bitcoin por Satoshi, o que inclui formulações semelhantes e até maneirismos comuns de escrita. Em 2014, pesquisadores da Universidade de Aston, Inglaterra, compararam as escritas de diversas pessoas suspeitas de serem Satoshi e constataram que nenhuma era tão compatível quanto a de Szabo. A semelhança era "perturbadora", de acordo com Jack Grieve, o professor que comandou o projeto.
Quando li os escritos de Szabo on-line, se tornou óbvio que, nos 12 meses anteriores ao surgimento de Satoshi e lançamento do bitcoin, Szabo estava de novo pensando a sério sobre o dinheiro digital.
Ele escreveu com frequência, ao longo de diversos meses, sobre os conceitos envolvidos no dinheiro digital, incluindo os tais contratos inteligentes, um conceito tão especializado que Szabo muitas vezes recebe crédito pela invenção do termo.
LIBERDADE
O blog de Szabo explicava por que ele estava examinando essas questões de maneira tão apaixonada: a crise financeira mundial que estava em curso lhe sugeria que o sistema monetário estava quebrado e requeria substituição.
"Para aqueles que amam nossas liberdades, passadas e futuras, a hora de atacar é agora", escreveu Szabo em seu blog no final de 2007, ao endossar a campanha do libertário Rand Paul pela indicação presidencial republicana, em parte por conta das visões de Paul sobre o sistema financeiro.
Para muitos observadores do bitcoin, tão notável quanto os escritos de Szabo no período é seu silêncio depois do surgimento do bitcoin em outubro de 2008. Afinal, a moeda virtual era uma experiência quanto a tudo aquilo sobre o que ele vinha escrevendo há anos. Ao contrário de Daí, Finney e Back, Szabo não liberou mensagens recebidas de Satoshi no período ou admitiu ter se comunicado com ele.
Szabo fez uma primeira menção passageira ao bitcoin em seu blog na metade de 2009, e em 2011, quando a moeda ainda estava lutando para ganhar empuxo, escreveu sobre ela de novo, mais extensamente, mencionando as semelhanças entre bitcoin e bit gold. Ele reconheceu que pouca gente teria o conhecimento e o instinto requeridos para criar qualquer das duas moedas.
"Eu, Wei Dai e Hal Finney éramos as únicas pessoas que conheço que gostavam da ideia [no caso de Daí, de sua ideia correlata] o bastante para levá-la adiante de forma significativa, até que surgisse Nakamoto (presumindo que Nakamoto não seja Finney ou Dai)", escreveu Szabo.
Quem quer que ele seja, o verdadeiro Satoshi Nakamoto tem bons e múltiplos motivos para querer ficar anônimo. Talvez o mais óbvio seja o potencial perigo. O pesquisador argentino Sergio Demian Lerner concluiu que Satoshi Nakamoto muito provavelmente recebeu quase um milhão de bitcoins no primeiro ano de operação do novo sistema. Já que um bitcoin vale cerca de US$ 240, esse saldo teria valor superior a mais de US$ 200 milhões. E isso bastaria para transformar Satoshi em alvo.
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Crédito, débito ou bitcoin?

São Paulo - O empresário Rodrigo Souza, de 34 anos, mudou-se para os Estados Unidos em 2008 e colocou seu apartamento em Santos à venda no ano passado. Nada de excepcional, não fosse a única forma de pagamento aceita: bitcoin.
Como mora em outro país, essa é, segundo ele, a melhor maneira de receber o dinheiro sem pagar as altíssimas taxas de remessa ao exterior — que podem chegar a 10% do valor de venda — ou do imposto sobre operações financeiras (IOF), que no fim do ano passado chegou a 6,38%.
Essa transação não é novidade para Rodrigo. Sócio de uma empresa de vídeos publicitários de animação, a MindBug Studios, Rodrigo tem colaboradores espalhados por quatro países. Seus empregados no Brasil e na Argentina recebem o salário em bitcoins.
“Tentei pagá-los via PayPal (serviço online de pagamentos), mas as taxas sequestravam boa parte do dinheiro. Com o bitcoin, eles recebem o salário integral e descontam os impostos nos países onde moram”, diz. Rodrigo também aceita, e até prefere, essa moeda como forma de pagamento pelos serviços prestados por sua empresa. “O dinheiro chega mais rapidamente e eu me livro das taxas”, afirma.
O empresário usa bitcoins principalmente como forma de transferir dinheiro e mantém cerca de 20% do patrimônio na moeda virtual. “Como o valor é muito volátil, prefiro transferir o resto para dólar, por garantia”, explica.
O bitcoin é uma moeda que circula apenas online, sem a regulação de um banco central e com transações encriptadas, ou seja, transmitidas em códigos, para dar segurança ao usuário e manter anônimas suas informações. Cada unidade valia, no início de abril, 446 dólares.
No dia 19 de novembro a moeda havia chegado a 545 dólares. Dez dias depois, estava cotada em 1 023 dólares. Essa instabilidade é um dos principais argumentos dos economistas que afirmam que o “bit­coin é algo mais parecido com loteria do que com moe­da”. A frase é do professor de finanças da FGV Samy Dana.
“Uma moeda precisa armazenar e conservar valor, mas o bitcoin oscila mais de 20% em um único dia”, diz Samy. Outra questão é a falta de uma autoridade monetária. “Não existe uma agência central reguladora. Isso deixa o bitcoin praticamente à margem da lei”, diz o professor de finanças do Ibmec do Rio de Janeiro Nelson de Souza.
Entretanto, há quem defenda que o bitcoin seja a moeda do futuro. No fim do ano passado, Ben Bernanke, então presidente do Federal Reserve, o banco central americano, enviou uma declaração ao Comitê de Segurança Nacional do Senado reconhecendo que o bitcoin “pode ser uma promessa, particularmente se as inovações que ele traz forem capazes de promover um sistema de pagamento mais rápido, seguro e eficiente”.
O Departamento de Justiça americano também emitiu um co­municado oficial informando que as operações com bitcoin são um meio legal de troca. “O Departamento de Justiça reconhece que muitos sistemas monetários virtuais oferecem serviços financeiros legítimos e possuem potencial para promover um comércio global mais eficiente.”
No Brasil, só 52 estabelecimentos estão no coinmap, o mapa que mostra quem aceita bitcoins. Parece pouco, mas esse número dobrou desde o fim do ano passado. O engenheiro da computação de Belo Horizonte Eduardo Camponez, de 33 anos, deve aumentar essa lista.
Ele convenceu uma escola de inglês online a aceitar bitcoins. Eduardo começou a estudar o bitcoin no fim do ano passado e já usou a moeda virtual para comprar em sites como Amazon. Para ele, a principal vantagem dela é ficar livre de intervenções de governos e bancos.
Esse aspecto, no entanto, preocupa autoridades do mundo todo. Um bom exemplo disso foi o que aconteceu em 2010, quando o governo americano tentou fechar o WikiLeaks, site que vazou documentos confidenciais da Casa Branca sobre a guerra no Afeganistão.
Como punição, o governo americano proibiu que bancos e operadoras de cartões de crédito transferissem dinheiro ao site, que vive de doações. Foi então que o WikiLeaks começou a receber doações em bitcoins, que não podem ser bloqueadas nem rastreadas pelas autoridades.
Na rede, é possível visualizar quanto e quando o dinheiro foi transferido, mas as contas que o enviaram e o receberam permanecem anônimas. Com base nessa premissa, Charlie Shrem, criador da BitInstant, empresa de negociação da moeda virtual, foi preso em janeiro, acusado de um esquema de venda de bitcoins para usuários do Silk Road, mercado negro online que vende drogas e armas ilegalmente.
A origem do bitcoin é incerta. Acredita-se que ele tenha sido criado em 2008 por Satoshi Nakamoto, programador japonês de 64 anos radicado nos Estados Unidos. No mês passado, a revista americana Newsweek tentou confirmar a informação, que foi negada por Satoshi.
Mais misteriosa ainda foi a forma como, em fevereiro, a Mt. Gox, maior bolsa para troca de bitcoins no Japão, anunciou que 300 milhões de dólares na moeda virtual foram roubados por hackers. “Fraudes acontecem com qualquer moeda”, diz Eduardo Camponez.
O bitcoin é considerado por seus defensores uma resposta à alta carga tributária e ao excesso de regulação do sistema monetário. “Ela representa uma revolução sem precedentes no sistema bancário mundial”, diz o economista Fernando Ulrich, autor do livro Bitcoin — a Moeda na Era Digital. Já há centenas de criptomoedas criadas a partir do código-fonte do bitcoin.
A ripple, uma delas, já recebeu aportes milionários de investidores como o Google Ventures. Na dúvida, talvez seja bom se acostumar com a ideia de ter uma carteira digital. Ela pode se tornar uma realidade na sua vida num futuro bem próximo.
Entenda como são feitas as transações com essa moeda virtual
O que é: Uma moeda que só circula online, com transações feitas em códigos para proteger a identidade de seus usuários
Bitcoin: As transferências, mesmo que internacionais, são feitas diretamente entre os usuários, sem taxas.
Moeda convencional: Operações com cartões de crédito e débito ou transferências de dinheiro passam pelos bancos.
Como encher a carteira
Vendendo
• Vendendo produtos, em lojas e sites, e aceitando bitcoins em troca.
Comprando
• Comprando a moeda de outras pessoas em sites como LocalBitcoins.com ou em casas de câmbio especializadas.
Minerando
• Resolvendo problemas matemáticos gerados pelo software do bitcoin, usado para autenticar as transações com a moeda na internet. Quem soluciona primeiro os problemas é recompensado com um pagamento em bitcoins pelo serviço prestado aos demais usuários.
Essas pessoas são chamadas de mineradoras, porque “garimpam” seus bitcoins em vez de comprá-los.
Saiba como uma compradora nos Estados Unidos faria para adquirir com bitcoins um par de sapatos de uma loja na Itália e como a operação é validada pelos membros da rede
1 O primeiro passo é criar uma carteira virtual em sites como Coinbase e Multibit. Cada conta dá acesso a uma série de endereços, cada um formado por uma sequência de letras e números.
2 Quando visita um site de compras e decide adquirir um produto em bitcoins, a compradora recebe do vendedor um endereço.
3 O passo seguinte será entrar em sua própria carteira virtual e usar sua assinatura digital — uma espécie de senha — para autorizar a transferência para o endereço gerado pelo vendedor.
4 Cada transação gera um problema matemático, que precisa ser solucionado pelos mineradores para que a operação seja finalizada. Os mineradores emprestam a capacidade analítica de seus computadores para a rede e, como forma de bonificação, recebem 25 bitcoins por operação completada.
5 Para cada transação, é gerada uma chave pública — uma senha que permite a qualquer membro da rede verificar se a operação é válida, embora ninguém possa identificar os envolvidos nela.
Confira abaixo as vantagens e as desvantagens envolvidas no uso do bitcoin
Vantagens
• É possível enviar dinheiro para qualquer lugar do mundo sem pagar as altas taxas de transferência cobradas pelos bancos.
• Qualquer membro da rede pode ver quais transações foram feitas, o que reduz a possibilidade de fraudes. O valor e o horário das operações são registrados, mas os usuários permanecem anônimos — a menos que alterem seu nível de privacidade.
• No Brasil, só 52 estabelecimentos admitem bitcoins como forma de pagamento. Parece pouco, mas esse número já é o dobro do que existia até o fim do ano passado.
• É possível trocar reais por dólares ou qualquer moeda estrangeira sem incidência do imposto sobre operações financeiras (IOF), que chegou a 6,38% em 2013. Basta comprar bitcoins com moeda nacional e vendê-los na moeda desejada.
Riscos
• Não há a quem recorrer em caso de fraude ou quebra de uma casa de câmbio de bitcoins.
• Como não é uma moeda regulamentada, o valor do bitcoin pode oscilar mais de 100% em um dia. Sua alta volatilidade faz com que ele não seja indicado como investimento.
• Assim como qualquer coisa que só existe o mundo virtual, carteiras e contas podem ser invadidas por hackers.
• Ainda são poucos os estabelecimentos ou prestadores de serviços que aceitam essa moeda
Fonte EXAME
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Newsweek reporter on her search for Bitcoin creator Bitcoin founder focus of international attention following Newsweek article Newsweek's Leah McGrath Goodman Responds To Bitcoin Creator Controversy 10 Things You Didn't Know About Bitcoin Cryptocurrency: This Is What Bitcoin Mining Looks Like

A revista Newsweek afirma ter descoberto o fundador da moeda virtual bitcoin.. Segundo a revista, o cidadão de 64 anos de idade reside na Califórnia, sofre de um câncer de próstata e se dedica ... Bitcoin, najpopularniejsza wirtualna waluta świata po raz pierwszy w historii przekroczyła wartość tysiąca dolarów. Oznacza to, że w ciągu ostatniego miesiąca jej wartość wzrosła o ... Bitcoin și alte criptomonede câștigă tot mai multă „tracțiune” ca surse de finanțare a grupărilor teroriste, notează McCoy, aducând în discuție luma februarie a acestui an, când jihadiștii din Indonezia și-au pus în aplicare planurile teroriste cu finanțări în Bitcoin, cea mai populară criptomonedă până în prezent.. La fel a procedat, în 2014, și Consilul ... Chantal Da Silva is Chief Correspondent at Newsweek, with a focus on immigration and human rights.She is a Canadian-British journalist whose work has also been featured by The Independent, The i ... This story has been appended to include a statement from Dorian Nakamoto received on March 19th when Newsweek was first contacted directly by Mr. Nakamoto's attorney, denying his role in Bitcoin. ...

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Newsweek reporter on her search for Bitcoin creator

In fact, back in 2009, a man named Kristoffer Koch bought 5,000 Bitcoin for $27...that’s just over half a cent per Bitcoin! At the all-time high rate of $6,300 per Bitcoin, his 5,000 Bitcoin ... Sempre secondo Newsweek, Nakamoto è nato nel 1949 a Beppu, in Giappone, figlio di un monaco buddista e discendente da una famiglia di samurai. Dopo il divorzio sua madre - che oggi ha 93 Newsweek magazine reportedly tracked down the mastermind behind the digital money known as Bitcoin. Vinita Nair reports on the media frenzy surrounding 64-year-old Dorian Satoshi Nakamoto. IBTimes sat down to talk with Newsweek's Leah McGrath Goodman about her discovery of the creator of Bitcoin and the aftermath of the story. Leah McGrath Goodman, author of the Newsweek article about the man behind Bitcoin, talks to the "CBS This Morning" co-hosts about her search for the mastermind of the digital money.

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